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domingo, 22 de abril de 2012

DEPOIMENTO... orientação e mobilidade em minha vida

Primeiramente vou me identificar:

Meu nome é Juliana Martins, sou Deficiente Visual desde nascença. Perdi minha visão por causa de uma doença chamada:

Retinopatia da Prematuridade.

Com 5 anos me mudei para a Cidade de Santa Bárbara Doeste. Tive meu primeiro contato com a Orientação E Mobilidade no Distrito de Americana. Mas por causa da insegurança, não saía sozinha. Aos 8 anos voltei para São Carlos, onde resido atualmente. Aqui, eu também dependia da minha família para tudo. Foi quando eu conheci minha professora. Ela sempre me dizia que eu era capaz, mas eu pensava:

“Jamais vou aprender a andar sozinha pela cidade".

"Esta foto mostra Juliana em aula
de locomoção, a caminho do Mercado
Municipal, pela entrada lateral do túnel."














 Isso é uma grande besteira. Como pode um deficiente visual saber o caminho que deve tomar?”

Quando eu andava de transporte público, pensava que estava sempre no mesmo lugar. Mas com o passar do tempo e o incentivo da minha professora, vi que não é assim. Comecei a sair primeiramente no meu bairro. Depois fui me aprofundando mais, e passei a usar o transporte público, já com uma certa noção de onde eu queria chegar. Devo confessar que no começo foi muito difícil. Pois além de tudo isso, a gente enfrenta muitos obstáculos tais como:
- Lixeira fora do lugar;

- plantas nas calçadas;
- os orelhões;
- calçadas em péssimo estado, enfim muitos obstáculos. Mas principalmente a falta de informação das pessoas.

"Esta foto mostra Juliana passando ao lado uma lixeira
que se encontra fixada a parede"












 "Esta foto mostra galhos de arbustos  invadindo
 a calçada, atrapalhando a  passagem de pedestre,"
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
"Esta foto mostra um orelhão fixado a
parede sem nenhuma sinalização tátil
em seu entorno".
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Hoje já me sinto mais segura, mas ainda há muito que aprender. Por isso eu digo:
“Jamais se deixe vencer por qualquer obstáculo, pois assim, você mostrará ser capaz”.

Juliana Martins.



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

SINDROME DE CHARGE

Foi descrita pela primeira vez em 1979. Em 1981, o termo "CHARGE" passou a ser usado como um acrônimo para um grupo de características congênitas incomuns encontradas em um alguns recém-nascidos. As letras significam:

CHARGE é um acrónimo em que cada letra designa uma anomalia frequentemente presente nas crianças afectadas, nomeadamente:

C Coloboma (alterações da pupila/retina; défice visual) 80%
H Heart (cardiopatia congénita) 58%
A Atresia choanae (estenose parcial/completa das coanas) 87%
R Retarded growth (atraso do crescimento e desenvolvimento psico-motor94%
G Genital (anomalias genitais; micropénis, criptorquidismo) 75%
E Ear (anomalias dos pavilhões auriculares, surdez) 

A síndrome CHARGE é a principal causa de surdocegueira congênita.

Incidência, Etiologia e Diagnóstico

A associação de CHARGE é uma entidade rara, com uma incidência de 1 em 20000 natos vivos. O desenvolvimento fetal das estruturas acima referidas dá-se entre a quarta e sexta semana de gestação, o que implica que o fator responsável por estas anomalias atua nesta fase precoce da embriogénese A etiologia é desconhecida, não havendo atualmente um exame laboratorial para o seu diagnóstico, sendo este essencialmente clínico. No entanto, visto que alguns síndromes genéticos cursam com algumas destas características, deve-se em casos específicos recorrer ao estudo cromossómico para excluir outras doenças.

Evolução

Um grande número de complicações, por vezes severas, contribuem para o prognóstico reservado em algumas destas crianças. Globalmente a mortalidade é de 28%. O atraso do crescimento intra-uterino (16%) e posteriormente o atraso de crescimento durante o 1º ano de vida (92%) também com atraso de desenvolvimento psicomotor em 72% das crianças afetadas vão-se associar a outras manifestações, para além das já referidas, tais como:

• infecções respiratórias recorrentes;
• surdez em 77% dos doentes, secundária a anomalias do SNC ou do ouvido médio;
• fistulas traqueo-esofágicas;
• onfalocelo;
• parésia facial;
• lábio leporino/fenda do palato;
• anomalias renais.

A elevada taxa de complicações do foro audiovisual, via aérea, e do sistema nervoso central nas crianças com a associação de CHARGE implica uma abordagem multidisciplinar. No período neonatal é importante o rastreio de problemas associados aos sistemas já mencionados. É habitualmente necessário apoio oftalmológico e otorrinolaringológico a longo prazo assim como a monitorização periódica do desenvolvimento, com particular atenção às áreas mais afetadas, tal como a nutrição e o crescimento.

A investigação radiológica do esqueleto permite avaliar alterações da coluna cervical (escoliose). A ecografia abdominal permite diagnosticar as freqüentes anomalias renais devendo ser acompanhada pelo rastreio periódico das infecções urinárias e da hipertensão artéria. A maioria dos casos da associação de CHARGE são esporádicos, ou seja, ocorrem na ausência de história familiar. Como tal o risco de recorrência em futuros filhos é inferior a 1%. Nem sempre o prognóstico é desfavorável, dependendo das anomalias associadas. A intervenção precoce é importante, particularmente em crianças na fase pré-escolar com atraso do desenvolvimento e défices audiovisuais.

























sábado, 27 de agosto de 2011

RETINOPATIA DA PREMATURIDADE

Inicialmente conhecida como Fibroplasia Retrolental, a Retinopatia da Prematuridade (RP) foi reconhecida pela primeira vez, em 1941 por Paul Chandler e Frederick Verhoeff. A retinopatia da prematuridade é uma doença bilateral da retina periférica relacionada à formação anômala dos vasos sanguíneos que atinge recém-nascidos prematuros e sua severidade apresenta uma relação inversa à idade gestacional e ao peso da criança ao nascimento. Em alguns casos, o tecido de novos vasos formados em decorrência da vascularização incompleta da retina pode não regredir espontaneamente evoluindo para uma proliferação fibrovascular em direção ao humor vítreo, formando membranas e trações retinianas. O descolamento da retina pode ser decorrente dessas trações.
Retinopatia é uma doença que pode levar à perda da visão em bebês prematuros, e é hoje a maior causa de cegueira infantil na América Latina. Atinge principalmente os bebês prematuros ou com baixo peso ao nascimento (os bebês nascidos antes de 36 semanas e com peso abaixo de 1600 gramas são os mais propensos). A retinopatia da prematuridade é o crescimento desorganizado dos vasos sangüíneos que suprem a retina (camada mais interna do globo dos olhos) do bebê. Esses vasos podem sangrar e, em casos mais sérios, a retina pode descolar e ocasionar a perda da visão da criança. Ocorre por que o olho do bebê prematuro ainda não terminou o desenvolvimento necessário quando saiu da barriga da mãe. Os vasos que nutrem a retina (que é a parte do olho que capta a visão) ainda não terminaram o desenvolvimento na hora que o prematuro nasceu, e vão ter que crescer num ambiente diferente daquele controlado na barriga da mãe. Assim, alguns podem desenvolver vasos frágeis que sangram dentro do olho e a retina pode descolar da esclera (casca branca do olho), causando a perda de visão. Isso acontece mais nos bebês prematuros pela imaturidade desses vasos sanguíneos. Os vasos terminam de se formar até o final da gestação e nos prematuros não estão totalmente formados. Mesmo crescendo após o nascimento prematuro, podem crescer de modo desarranjado, ocasionando a retinopatia.

Outro fator que pode ocasionar a doença é o uso irracional de oxigênio no berçário. As Unidades de Terapia Intensiva não podem abrir mão do uso do oxigênio para salvar vidas ou para não deixar seqüelas cerebrais, mas o nível de oxigênio usado pelos médicos é mais baixo do que antigamente, sem que isso cause dano ao bebê ou aumente a possibilidade de retinopatia. A incidência dessa doença aumentou devido à tecnologia avançada da medicina que permite a sobrevida de bebês cada vez menores. Atinge meninos e meninas de maneira igual, um terço dos bebês com peso inferior a 1500 gramas e mais de 80% dos bebês com peso inferior a 1000 gramas.


A avaliação da acuidade é importante e pode ser feito através do teste de olhar preferencial com os Cartões de acuidade de Teller. Quando o descolamento de retina está presente, devemos pesquisar em qual campo visual a criança percebe os estímulos visuais. Mesmo com respostas desencorajadoras, a prescrição da correção óptica deve ser considerada.

As respostas visuais dos bebês devem ser monitoradas pelo menos a cada três meses durante o primeiro ano de vida. Muito do que seria considerado baixa visão, na realidade trata-se de um atraso do desenvolvimento que pode ou não vir associado a outras deficiências, em especial em crianças prematuras.

A visão é a principal forma de comunicação e aprendizado no primeiro ano de vida interferindo consideravelmente no desenvolvimento global do lactente e a presença de uma alteração ocular nesse período constitui uma barreira para a este desenvolvimento. A estimulação visual e o trabalho conjunto entre terapeutas e oftalmologistas são fundamentais para que o lactente tenha a oportunidade de desenvolver ao máximo seu resíduo visual ao longo dos primeiros anos de vida. Na realidade, nesses casos realiza-se uma habilitação visual e quanto mais precoce, melhores os resultados obtidos.

Nos Estados Unidos, em 1953, a RP foi responsável por 7.000 casos de cegueira. O uso controlado de oxigênio pelos médicos fez com que a proporção de cegueira causada por RP, somente nos Estados Unidos, caísse de 50% em 1950 para 4% em 1960. Atualmente, a incidência de retinopatia da prematuridade nos Estados Unidos é de 0,12% do total de nascimentos ou, um caso para cada 820 recém-nascidos e estima-se 300 novos casos de cegueira por RP neste país por ano. No Brasil, alguns estudos apontam um aumento dos casos de RP, principalmente em grandes centros. Estima-se que 16.000 recém-nascidos apresentem RP anualmente sendo que 10% destes podem ficar cegos caso não sejam tratados.

Oftalmologistas no mundo todo observaram que, ao lado dos avanços recentes da neonatologia, que têm garantido a sobrevivência de recém-nascidos prematuros de muito baixo peso, presencia- se uma elevada incidência da retinopatia da prematuridade (RP). A doença, que acomete o bebê prematuro, cuja retina não se encontra completamente vascularizada e pronta para entrar em contato com o ambiente externo, pode levar ao descolamento dessa parte do olho e até mesmo à perda da visão. Segundo a OMS, as principais causas da cegueira na infância variam de região para região e são determinadas, em grande medida, pelas condições socioeconômicas e pela disponibilidade e eficácia dos serviços de atenção primária e de cuidado ocular. Nos países em desenvolvimento, a retinopatia da prematuridade é apontada como uma importante causa da cegueira infantil, ao lado de outras doenças comuns também em países mais ricos, como catarata, anomalias congênitas e distrofias hereditárias da retina. Somente no Brasil, a Agência Internacional de Prevenção à Cegueira estima que 33.000 crianças estejam cegas por doenças oculares que poderiam ter sido evitadas ou tratadas precocemente, e que pelo menos 100.000 têm alguma deficiência visual. No caso da retinopatia da prematuridade, o diagnóstico pode ser feito no recém-nascido por meio de exames adequados ao tipo de ocorrência da doença em cada Unidades de Terapia Intensiva Pediátricas (UTIs). Em geral, é recomendável que todo bebê prematuro de até 32 semanas de gestação ou que tenha peso de nascimento inferior a 1.500 g seja examinado por um oftalmologista capacitado e com equipamento apropriado ainda nas primeiras semanas de vida.


Sites:

www.institutodavisao.med.br/.../pt.../noticias.php

www.v2020la.org/pub/boletin_7/JotaZero_6-9.pdf

portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/relatorio_metodocanguru





sábado, 30 de julho de 2011

Acessibilidade & Educação

A maioria de nossos edifícios foi construída quando a preocupação com acessibilidade era pequena ou inexistente. Hoje, os projetos para novas construções já passaram a incorporar o conceito de acessibilidade. A adaptação dos prédios a esse objetivo nem sempre é possível pelas dificuldades técnicas ou pela falta de investimento de recursos financeiros necessários. O cuidado com esta questão, pode e deve levar a providências simples que se não resolvem radicalmente podem amenizar ou diminuir as barreiras existentes.
Esta é a realidade de nossas escolas

A  foto  ao lado mostra um portão semi aberto da entrada principal de uma escola sem acessibilidade.

A foto ao lado mostra um portão semi aberto da entrada de alunos de uma escola sem acessibilidade.
 
 
 
 
 
 
O importante é ter muito presente a questão da acessibilidade no momento de executar reformas e ampliações nos prédios escolares. Aqui estão enfatizadas as questões centrais a serem discutidas com arquitetos e engenheiros, quando da preparação das obras para intervenção maior ou menor no prédio da escola, facilitando-lhes a tarefa, para que sejam atendidas as condições exigidas em normas técnicas oficiais, nas quais estão definidos os parâmetros básicos para tratamento dessa questão.
A realidade de nossas escolas

A foto ao lado mostra o portão de saida ampla de uma escola porém inacessível.
 
 
 
 
 
 
A foto abaixo mostra o corredor de uma escola, estreito e ocupado por caixas e uma janela metálica encostrada na parede.

Sabe-se que é difícil ter um padrão muito correto em todos os locais de acesso da população e ainda estamos longe de poder favorecer a todos o direito de ir e vir, principalmente quando se trata de pessoas com deficiência seja ela de qualquer natureza. Neste quadro encontramos uma situação bastante agravante quando reduzimos esta busca pelo acesso ás escolas e quando tratamos de crianças que são ainda mais excluídas. Pode-se observar que em escolas públicas este acesso é ainda mais deficitário e está longe de uma solução.
Os ambientes inacessíveis são fatores preponderantes na dificuldade de inclusão na escola para as pessoas com deficiência e podem determinar que alguns sejam excluídos também do mercado de trabalho. O meio pode reforçar uma deficiência valorizando um impedimento ou torná-la sem importância naquele contexto. Na última década, com a reformulação de condutas nos meios de educação modernos, incorporou-se o conceito de Educação Inclusiva, que trouxe para as salas de aula do ensino regular, muitas das crianças anteriormente educadas em escolas especiais, devido a deficiências físicas e sensoriais as mais diversas. A conjunção dos conceitos atuais de Educação Inclusiva e Desenho Universal, nos leva a rever com premência a escola de hoje, não apenas como instituição de ensino, mas como espaço arquitetônico que a contém.

A foto ao lado mostra uma quadra de escola com quatro degraus largos formando uma bancada, sem possibilidade de acesso a uma pessoa com cadeira de rodas, quadra inacessivel.
Escolas devem ter salas de aulas amplas para circulação de cadeiras, portas mais largas, ideal 90 cm segundo a NBR 9050, maçanetas do tipo alavanca que podem mais facilmente manipuladas por quem quer que seja. Todos os elementos do mobiliário da edificação como bebedouros, aparelhos telefônicos, guichês e balcões de atendimento, bancos de alvenaria, entre outros, devem ser acessíveis.
Nossa realidade


É grande a dificuldade de acesso aos bebedouros pelas pessoas com
deficiência física ou mobilidade reduzida, uma vez que geralmente não conseguem alcançá-los.Verificamos que serão precisos investimentos urgentes nas escolas publicas, uma vez que as mesmas não estão preparadas para receber estudantes deficientes e estão longe de se adequarem às normas estabelecidas pela NBR 9050 da ABNT. As escolas que possuem portas e corredores com largura ideal, espaço interno nos banheiros e que se enquadraram nestes itens, são construções antigas e que faltam muito ainda a estabelecer os padrões necessários exigidos pela norma.
As escadas e rampas devem ser providas de instalação de corrimãos laterais devidamente sinalizados e em duas alturas. Os sanitários e vestiários acessíveis devem localizar-se em rotas acessíveis, próximos à circulação principal, preferencialmente próximo ou integrado às demais instalações sanitárias, e devem estar devidamente sinalizados. Em sanitários acessíveis isolados é necessária a instalação de dispositivo de sinalização de emergência ao lado da bacia e do boxe do chuveiro, a uma altura de 400 mm do piso acabado, para acionamento em caso de queda.












A falta de acessibilidade nas escolas e na maioria dos prédios públicos mantém as pessoas com deficiência (apesar de todos os discursos sobre Equiparação de Oportunidades, Direitos Humanos, Democracia e Inclusão) em condições de dependência total, contrariando todos os discursos, contrariando os objetivos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Desenho Universal que tarda a se concretizar.


terça-feira, 12 de julho de 2011

ECOLOCALIZAÇÃO

Ecolocalização ou Biosonar é um sentido, uma sofisticada capacidade biológica de detectar a posição e/ou distância de objetos (obstáculos no ambiente) ou animais através de emissão de ondas ultra-sônicas, no ar ou na água, e análise ou cronometragem do tempo gasto para essas ondas serem emitidas, refletirem no alvo e voltarem à fonte sobre a forma de eco (ondas refletidas). Para diversos mamíferos, morcegos, golfinhos e baleias, essa capacidade é de importância crucial em condições onde a visão é insuficiente, de noite no caso dos morcegos ou em águas escuras ou turvas para os golfinhos, seja para locomoção ou para captura de presas. Alguns pássaros também utilizam a ecolocalização para voarem em cavernas. Baseado nessa capacidade natural os seres humanos desenvolveram a “ecolocalização artificial” com o advento do radar- sonar e aparelhos de ultra-sonografia.

Os morcegos enxergam normalmente, apenas quando estão dentro da caverna, ou em locais sem claridade utilizam a ecolocalização (para caçarem insetos e encontrarem seus filhotes dentro das grutas). Navegam de modo semelhante. Usando apenas ecos, eles podem voar entre folhagem densa sem incidentes, pegando os insetos nas folhas com precisão enquanto passam. Apesar dos seres humanos não ouvirem tão bem, com pouco esforço eles podem conseguir um progresso surpreendente com uma técnica semelhante. Segundo o dicionário Michaelis do Milênio Ecolocalização significa: “Processo usado por um animal (um morcego, p ex), para orientar-se e evitar obstáculos, especialmente na escuridão, por meio da emissão de sons de alta freqüência, refletidos por superfícies do ambiente, e que indicam a distância relativa e a direção de tais superfícies.”

Nas últimas décadas, várias pessoas cegas desenvolveram um método como de morcego para determinar o ambiente ao seu redor, usando estalos de língua. Após o recente sucesso em Berlim, a técnica poderá se tornar mais disseminada na Alemanha. Alguns até mesmo usam o “flash sonar” para andar de bicicleta ou caminhar nas montanhas.

Pessoas vendadas, sem qualquer problema visual, podem aprender a detectar objetos ao seu redor após apenas um breve período de tempo. De fato, sem contar com qualquer instrução, algumas pessoas cegas simplesmente aprenderam sozinhas a técnica. Dave Janischak, um estudante colegial de 15 anos da cidade alemã de Marburg, no Oeste do país, descobriu um tipo de flash sonar quando tinha quatro anos. Na época, ele frequentava uma creche com um menino deficiente mental que passava o dia todo estalando sua língua. Naquilo que começou como provocação infantil, Janischak passou a imitar os estalos do menino. Mas ele descobriu rapidamente que fazer isso o ajudava a determinar seus arredores. “Eu de repente sabia onde estavam as portas”, ele diz, “e se estavam abertas ou fechadas”. Para pessoas que podem ver, o senso de percepção é dominado pela visão. De fato, ao longo da evolução, nossa audição passou a assumir um papel subordinado, se concentrando em coisas que fazem ruídos próprios –como uma onça faminta se arrastando na mata ou um convidado chamando do outro lado da sala em meio a uma festa barulhenta. Mas quando se trata de uma orientação baseada em som, os ecos podem ser enganadores. “Por esse motivo, os cérebros das pessoas que podem ver tendem a suprimir o eco espacial”, diz Lutz Wiegrebe, um neurobiólogo de Munique. “Ele é automaticamente cancelado como mero ruído de fundo.” Mas ele acrescenta que a informação não é perdida. “Você pode aprender rapidamente como fazer uso dele”, ele diz. “Para pessoas cegas, isso certamente faria sentido.”

De fato, a maioria dos cegos sabe intuitivamente um pouco sobre como a ecolocalização funciona. Alguns batem na calçada com a bengala para localizar uma entrada; alguns estalam os dedos quando entram no banheiro da casa de outra pessoa, para localizar a pia, que retorna um eco vazio. Mas bater com a bengala em várias superfícies retorna um som diferente todas as vezes. E o estalar de dedos a várias distâncias do ouvido retorna diferentes sons processados pelo cérebro a cada vez.

Apenas o estalar de língua permite uma impressão espacial precisa. Boca e ouvidos praticamente formam uma única unidade e, com a prática, sua colaboração se torna automática. Ainda assim, muitos cegos consideram o estalar desagradável no início. Reinhard Eiler, que ensina estudantes cegos em Marburg a experimentar.

Daniel Kish, californianos utiliza um sentido semelhante ao sonar de morcegos e golfinhos para reconhecer o ambiente. foi o primeiro cego acreditado para guiar outros cegos nos Estados Unidos. Ainda bebê, um tumor na retina extirpou seus olhos. Com 2 anos, começou a estalar a língua. Com 10, adquiriu consciência da técnica que desenvolvera involuntariamente para conhecer o mundo. O barulho que sua boca produzia reverberava nas coisas e munia seu cérebro de dados valiosos: localização, dimensão e profundidade dos objetos, informação suficiente para alcançar uma grande independência. Pesquisadores canadenses suspeitavam que cérebros de pessoas que dominam a ecolocalização não processariam informações auditivas de forma convencional. Com o auxílio de um sofisticado aparato de ressonância magnética funcional, mergulharam nos neurônios de Kish e ficaram surpresos com o que encontraram: os ecos são tratados como imagens na cabeça do americano.

Brian Bushway, de 28 anos, também participou do experimento canadense. Uma atrofia do nervo óptico roubou sua visão há 14 anos. Desde então, aprendeu a utilizar a ecolocalização. Os cientistas queriam identificar possíveis diferenças neurológicas entre pessoas que deixaram de enxergar cedo ou em plena adolescência. Na prática, ambos apresentaram uma habilidade comparável, com ligeira vantagem para Kish.

Ivan Freitas, professor de educação física em São Bernardo do Campo, perdeu a visão aos 6 anos, vítima de um glaucoma. Hoje, tem 39. Como Kish, começou a estalar a língua cedo. Perdeu a conta das vezes que lhe disseram: “Para de fazer esse barulho, menino! Que irritante!” Ficava quieto por algum tempo e, depois, voltava aos estalos. “Era mais forte do que eu. Nem percebia que fazia aquilo para me localizar”, comenta.

A maioria dos brasileiros que utilizam a ecolocalização é como Freitas. Diferentemente dos americanos, não criaram teorias elaboradas para aprimorar a técnica. Surgiu com a naturalidade de uma descoberta involuntária.

Kish fundou a World Access for the Blind. O lema do grupo – “our vision is sound” – pode ser traduzido como “nossa visão é o som” ou “nossa visão é acurada”, ambiguidade que descreve bem o objetivo da iniciativa: ajudar deficientes visuais a utilizar a ecolocalização para aumentar sua autonomia. “Nossa principal bandeira: a técnica pode ser ensinada. É como aprender piano. Nem todo mundo conseguirá tocar no Carnegie Hall, mas muita gente pode aprender a tocar”, garante Kish. A organização percorre o mundo, dando palestras e cursos. Ao Estado, Kish disse que já recebeu convites para vir ao Brasil, “mas ainda não deu certo”.

Laina começou a usar sua técnica nas corridas de pega-pega e logo passou para a bicicleta. Costuma seguir um dos irmãos ou amigos, enquanto pedala. Quando não tem “um guia”, fala sem parar, como forma de evitar os obstáculos. “Tenho certeza que essa minha experiência na infância me dá autonomia hoje para me locomover com mais segurança”, afirma. Ex-aluno do Instituto Benjamin Constant, no Rio, Laina acredita que todos os cegos utilizam uma forma rudimentar de ecolocalização, mesmo sem perceber. “Basta colocar uma proteção de borracha na ponta da bengala de muitos cegos para deixá-los loucos”, afirma. “Eles usam aquele barulhinho da ponta rígida batendo no chão para identificar obstáculos.” Segundo Laina, tricampeão paraolímpico de futebol de cinco (para cegos), esportes podem aprimorar a percepção sensorial.

Ela afirma que a informação sonora permite perceber dados espaciais de grandes dimensões. “Para a maioria das pessoas, o som do trovão é igual em qualquer cidade. Mas para um cego é diferente. Ele percebe claramente quando está em uma cidade pequena ou em uma grande cidade. Os prédios abafam o som”, explica.

Mel Goodale, principal responsável pela pesquisa canadense, afirma que a ecolocalização em humanos permitirá uma melhor compreensão do fenômeno em morcegos e outros animais, pois pessoas podem verbalizar suas experiências. Kish, por exemplo, compara os sons que produz ao flash de uma câmera fotográfica: iluminam o mundo e permitem a fixação de uma imagem no cérebro.

Juan Antonio Martínez, da Universidade de Alcalá de Henares, em Madri, afirma que pessoas que veem também podem aprender a ecolocalização. “Para deficientes visuais em particular e para todos nós em geral, a técnica pode significar uma nova forma de perceber o mundo”, afirma. Ele já desenvolveu pesquisas na área, procurando descobrir, por exemplo, quais sons produzidos pela língua são mais convenientes. “Treinar duas horas por dia durante duas semanas é o suficiente para distinguir se você tem um objeto na sua frente. Mais duas semanas e você consegue diferenciar árvores de um muro.”



.Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2011/06/27/ver-com-som-faz-crescente-sucesso.jhtm



segunda-feira, 4 de julho de 2011

PRAÇAS PÚBLICAS: acessibilidade urgente...

Em uma definição bastante ampla, praça é qualquer espaço público urbano livre de edificações e que propicie convivência e/ou recreação para seus usuários. Normalmente, a apreensão do sentido de "praça" varia de população para população, de acordo com a cultura de cada lugar. Em geral, este tipo de espaço está associado à idéia de haver prioridade ao pedestre e não acessibilidade de veículos, mas esta não é uma regra. Todos os pedestres têm o direito, ou deveriam ter, à livre paisagem visual, ao meio ambiente saudável e ao desenvolvimento sustentável da Cidade, o direito de ir e vir, de circular livremente, a pé, em carrinho de bebê ou em cadeira de rodas, nas travessias de vias, calçadas, praças e passeios públicos, sem obstáculos de qualquer natureza, sendo-lhes assegurado mobilidade, acessibilidade, conforto, segurança enfim, todos e, especialmente às pessoas com deficiência, idosos, gestantes, obesos, devem entender por “Acessibilidade” a possibilidade e condições de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços, mobiliário e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos sistemas e meios de comunicação.

Infelizmente esta não é a realidade de nossas praças públicas a acessibilidade está bem distante, como a maioria das obras novas que vemos serem construídas todos os dias. Mas para compreendemos melhor o que deveriam ser nossas praças, existem alguns termos muito importantes que se fazem necessário esclarecermos porque parece que não foram compreendidos, são eles:
Acessibilidade
Condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Desenho universal
Concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade.

Barreiras
Qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou terem acesso à informações, classificadas em:

a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias públicas e nos espaços de uso público;

b) barreiras nas edificações: as existentes no entorno e interior das edificações de uso público e coletivo e nas áreas internas de uso comum nas edificações de uso privado multifamiliar;

c) barreiras nos transportes: as existentes nos serviços de transportes que impedem ou dificultam o ingresso ao interior dos veículos de transporte público, privado, aos terminais, às estações e aos pontos de parada;

d) barreiras nas comunicações e informações: qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos dispositivos, meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa, bem como aqueles que dificultem ou impossibilitem o acesso à informação.

Mobiliário urbano
Conjunto de objetos existentes nas vias e espaços públicos, como semáforos, postes de sinalização e iluminação, telefones públicos, fontes públicas, lixeiras, toldos, marquises, quiosques e outros.

Rota acessível
Trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado que conecta ambientes externos ou internos de espaços e edificações, e que pode ser utilizado de forma autônoma e segura por todas as pessoas, inclusive as com deficiência. A rota acessível externa pode incorporar estacionamentos, calçadas rebaixadas, faixas de travessia de pedestres, rampas; a interna pode incluir corredores, pisos, rampas, escadas, elevadores.

O planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de forma a torná-los acessíveis para todos. Esta era a proposta, mas não é o que ocorre. O projeto e o traçado dos elementos de urbanização públicos e privados de uso comunitário, nestes compreendidos os itinerários e as passagens de pedestres, os percursos de entrada e de saída de veículos, as escadas e rampas, deverão observar os parâmetros estabelecidos pelas normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT. Os banheiros de uso público existentes ou a construir em parques, praças, jardins e espaços livres públicos deverão se acessíveis e dispor, pelo menos, de um sanitário e um lavatório que atendam às especificações; Em todas as áreas de estacionamento de veículos, localizadas em vias ou em espaços públicos, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas com deficiência com dificuldade de locomoção. As técnicas de desenho e traçado de acordo com as normas técnicas vigentes.

As calçadas deveriam ter uma faixa livre de circulação entre 1.20 (mínimo) e 1.50m (recomendável) Nesta faixa denominada rota acessível, não deve haver, bancas de revistas, telefones públicos caixas de correio, postes, rebaixamento para acesso de veículos, orla de árvores e jardineiras. É proibido qualquer obstáculo que reduza a largura da faixa de livre circulação. As rotas acessíveis não podem ser interrompidas por qualquer obstáculo. Se houver algum obstáculo e este não puder ser removido, deve ser implantada sinalização com piso de tátil de alerta para evitar acidentes.

Sinalização de piso tátil de alerta e direcional

Sinalização esta não contemplada em nossas praças públicas, vemos construções hoje como as anteriores a norma NBR9050. A sinalização com piso tátil tem por objetivo indicar rota outro indica alerta para o perigo (obstáculo, interrupção de calçada). Os pisos táteis de alerta e direcional deverão se diferenciar do piso adjacente através de texturas, proporcionando melhor identificação destes pelas pessoas com deficiência visual. Caso apresentem textura igual ou semelhante ao piso circundante, não atenderão plenamente suas funções, visto que não serão facilmente percebidos. O ideal é que os pisos das calçadas sejam lisos, porém, antiderrapantes, com faixas táteis texturizadas. Considerando o conjunto compreendido pelas calçadas e vias, deve ser instalada a sinalização tátil de alerta, com largura entre 25cm e 60cm. Esta deve apresentar-se perpendicularmente ao sentido de deslocamento nas seguintes situações: no início e término de escadas e rampas, afastada no máximo 32cm do ponto onde ocorre mudança de plano junto a desníveis, tais como plataformas de embarque e desembarque, passarelas palcos, vãos, entre outros. Deve ser instalada ao longo de toda a extensão onde houver risco de queda, e localizada a uma distância da borda de no mínimo 50 cm; no rebaixamento de calçada para a travessia da pista de rolamento no caso em que se opte pelo nivelamento da pista de rolamento com a calçada, promovendo um percurso acessível, deve-se instalar a sinalização tátil de alerta ao longo da interseção entre os trânsitos de pedestres e veículos, para que as pessoas com deficiência visual possam detectar o final da calçada e o início da pista de rolamento. Este piso tátil deve estar localizado na calçada a uma distância de 50 cm da pista de rolamento.
A sinalização tátil direcional, com largura entre 20 cm e 60 cm, deve ser instalada no sentido do deslocamento nas seguintes situações:
áreas de circulação, indicando a direção a ser seguida em espaços amplos externos ou internos, ou quando houver caminho preferenciais de deslocamento; no caso em que não houver a linha guia identificável ou quando esta for interrompida. Recomenda-se a utilização de peças de piso tátil direcional que possuam relevos com 5 mm de altura, estes serão mais facilmente identificados. Observa-se que pisos com relevo de 3 mm ou 4 mm de altura, normalmente, passam despercebidos por pessoas com deficiência visual.

Em alguns locais, até que existem algumas tímidas tentativas de sinalizações e rampas, mas muitas ainda fora dos padrões, inadequadas. Acessibilidade não é só rampa, não basta somente fazer a rampa porque se ela não estiver dentro dos padrões necessários para a locomoção das pessoas, não trará benefícios, falta no conceito de acessibilidade a inclusão do piso tátil, mapa tátil, sinalização sonora, recursos que facilitam a independência e mobilidade das pessoas cegas, não somente o piso tátil de alerta, que é o que mais vemos, mas o piso tátil direcional é necessário traçar caminhos, rotas que facilitem o percurso das pessoas com deficiência visual. É urgente a realização da acessibilidade real e não apenas aparente, somente assim poderá ser utilizada de forma autônoma, por todas as pessoas, especialmente pelas pessoas com deficiência.















































quarta-feira, 4 de maio de 2011

DPS2000 - Acessibilidade no Transporte Coletivo

A solução em acessibilidade no transporte denominada DPS2000, é um sistema pioneiro, concebido para possibilitar a deficientes visuais o acesso aos serviços de transporte público de forma autônoma e segura. Composição do Sistema:
 
Receptor instalado em cada ônibus
Transmissor portátil

O sistema permite que o passageiro com deficiência visual sinalize o pedido de embarque ao motorista dos ônibus urbanos desejados usando um transmissor de rádio frequência portátil. A solicitação de embarque é identificada por um receptor instalado nos ônibus, que é acoplado a uma caixa de som para prover a identificação sonora da linha aos passageiros solicitantes. Dessa forma, deficientes visuais, idosos e até mesmo analfabetos não mais dependerão de outras pessoas no ponto de ônibus para ter acesso ao coletivo correto.

O sistema sonoro do receptor permite inserir mensagens de patrocinadores no aparelho, de forma a anunciá-las toda vez que um ônibus for chamado através do DPS2000. Isso pode representar uma possibilidade adicional de custeio dos equipamentos para o município. Já o aparelho transmissor portátil, utilizado pelo passageiro com deficiência para chamar o ônibus, é operado através de menus de áudio e seu funcionamento é bastante intuitivo, sendo muito fácil de usar. O dispositivo tem bateria interna recarregável com autonomia de 25h de transmissão contínua e vem com carregador.

Jaú foi a primeira cidade brasileira a experimentar e adquirir o sistema, tornando acessíveis todos os 61 ônibus circulares urbanos de sua frota municipal a partir de novembro de 2010. Há cerca de um mês, as cidades do Rio de Janeiro e Niterói iniciaram um teste piloto para experimentar o sistema DPS2000. Nessas duas cidades, um total de 10 veículos foram equipados com o aparelho receptor e um grupo de deficientes visuais utilizará os transmissores portáteis em seu dia-a-dia por um período de 30 a 60 dias para avaliar seu funcionamento. O investimento nesse teste piloto foi realizado pela FETRANPOR (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado RJ).

O plano de implantação do DPS2000 em cada cidade prevê também treinamento e acompanhamento dos motoristas e dos técnicos das empresas de ônibus após a conclusão da instalação dos receptores nos veículos, com custo que varia de acordo com as dimensões do sistema de transporte público de cada cidade.

video


http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/12/aparelho-ajuda-deficientes-visuais-andar-de-onibus-no-interior-de-sp.html

Reportagem do Fantástico (Rede Globo):

http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1635503-15605,00-BONE+INTELIGENTE+AJUDA+CEGOS+A+DESVIAR+DE+OBSTACULOS+NA+RUA.html

Geraes Tecnologias Assistivas Ltda.
http://www.geraestec.com.br/