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terça-feira, 30 de outubro de 2012

SAÚDE OCULAR: prevenção da cegueira


Possivelmente, a visão talvez seja o sentido humano mais importante, considerando-se que a maior parte de nosso entendimento e contato com o mundo exterior realiza-se através dos olhos.
A maioria dos casos de cegueira evitável ocorre nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e a perda da visão acarreta graves prejuízos às atividades escolares, intelectuais, profissionais e sociais, restringindo fortemente a produção e a capacidade de trabalho das pessoas afetadas. Considerando-se tal fato, a descoberta precoce dos problemas e posterior encaminhamento do indivíduo aos serviços especializados é fundamental, haja vista que dois em cada três casos de cegueira poderiam ser evitados caso houvesse tal procedimento.
Estimativamente, quase todos os problemas oftalmológicos podem ser evitados com a promoção da saúde ocular junto às crianças e adolescentes em idade escolar. Nesse sentido, o presente texto visa contribuir para o melhor desempenho e participação dos professores e agentes de saúde na promoção da saúde ocular dos estudantes e também dos adultos. Por isso, a abordagem da temática será organizada por faixas etárias. 

INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE SAÚDE OCULAR

Chamamos visão à capacidade dinâmica que o olho tem de perceber o universo que o cerca - capacidade esta que depende de uma ação coordenada entre o nosso sistema visual e o cérebro. Visando preservá-la, há uma série de cuidados simples que podemos tomar para evitar que elementos do ambiente ou de nossos hábitos cotidianos venham a comprometer o bom desempenho de nossos olhos.
 A educação em saúde ocular, através da disseminação de informações gerais e de práticas preventivas, é um caminho seguro que conduz a uma atividade visual saudável e, se for o caso, à detecção precoce de problemas oculares e ao encaminhamento dos indivíduos afetados aos serviços de saúde. 

Os seguintes elementos básicos influenciam as pessoas a ter uma boa visão e uma boa saúde:
Condições de vida: qualquer melhoria das condições de vida da população – emprego, habitação, alimentação, educação, saneamento, principalmente – resulta em melhoria da saúde em geral, inclusive a ocular;
    
Higiene pessoal e ambiental: praticar medidas de higiene e cuidados gerais com o corpo e a mente previne a propagação de doenças, inclusive as oculares;
Dieta alimentar adequada: para crianças, jovens e adultos, é recomendável a ingestão regular de verduras, legumes e frutas; o leite materno, por sua vez, além de conter todos os ingredientes necessários para o bom desenvolvimento do bebê, é rico em vitamina A, importante na prevenção da cegueira noturna;
Imunização: algumas doenças contagiosas     como o sarampo - podem causar 
cegueira, principalmente em crianças desnutridas. A vacinação das crianças e das mulheres adultas é fundamental na prevenção da rubéola, já que essa doença produz catarata congênita às crianças cujas mães a possuem.
Prevenção de problemas oculares: o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de problemas oculares e visuais, bem como a verificação periódica da acuidade visual e a prática dos cuidados de prevenção de infecções e de doenças oculares são medidas importantes para se manter uma boa capacidade visual.

 SAÚDE OCULAR DOS LACTENTES E PRÉ-ESCOLARES

A criança começa a melhorar sua visão, ou a desenvolvê-la efetivamente, por volta dos 6 a 8 meses. Mas somente aos cinco ou seis anos ocorre a maturação visual completa. O adequado cumprimento do calendário de vacinação e dos cuidados gerais e de higiene previnem as doenças provocadas por agentes infecciosos. A introdução de uma alimentação rica em vitaminas, desde cedo, logo após o término do aleitamento materno, ajudará a manter uma boa saúde.
Rotineiramente, devem ser procurados sinais e sintomas genéricos que podem indicar que a criança possui problemas oculares, tais como apresentar dor de cabeça freqüente; ser dispersiva ou desastrada; cair muito e derrubar objetos; ter dificuldade de acompanhar as brincadeiras dos colegas; fazer caretas, piscar muito, apertar os olhos; inclinar a cabeça para ver e aproximar-se demais da TV ou das páginas de revista e livros. Esses sinais podem indicar que a criança sofre de baixa acuidade visual; assim, deve ser levada ao oftalmologista o quanto antes, para consulta.
Outros sinais e sintomas muito comuns de problemas visuais, que também devem ser observados, são: lacrimejamento; olhos vermelhos; secreção, purgação (pus); crostas nos cílios; olhos semi-abertos; visão embaçada; sensibilidade excessiva à luz; visão dupla e desvio ocular (estrabismo). Em caso de dúvida, o teste de acuidade visual é sempre recomendável, pois permite a detecção de problemas oculares ainda não manifestos.

Com relação a esta faixa etária, os adultos deverão estar atentos à prevenção de acidentes com objetos ponteagudos e/ou cortantes - como faca, tesoura, lápis, por exemplo - ou produtos químicos – como o álcool, água sanitária, detergente e medicamentos – haja vista que crianças dessa idade costumam ter verdadeira atração por esses materiais, que podem levar perigo a seus olhos. 

SAÚDE OCULAR DOS ADOLESCENTES

 Todas as crianças, antes de começar a freqüentar a escola, devem ir ao oftalmologista para realização de teste de acuidade visual. Por sua vez, a professora deve estar especialmente atenta aos seguintes sinais: olhos vermelhos após a aula; lacrimejamento durante a leitura; aproximar ou afastar muito o livro dos olhos; cansaço e desinteresse após a atividade escolar; dores de cabeça, tonturas e náuseas, após esforço visual; troca de letras semelhantes, ao ler.
Complementarmente, as noções de higiene e de educação alimentar também devem ser mantidas e reafirmadas com freqüência.
Geralmente, a adolescência é a fase em que a miopia se manifesta, cujo início se faz sentir por volta dos 10 anos. Assim, deverão ser encaminhadas a exame oftalmológico todas as crianças que nesta faixa de idade sintam dificuldades em enxergar o que está escrito no quadro ou localizar objetos situados muito longe.
É conveniente que as adolescentes sejam vacinadas contra a rubéola, prevenindo os bebês das eventuais gestantes contra a cegueira dos recém-nascidos. Os riscos de acidentes também devem ser prevenidos, atentando-se principalmente às atividades esportivas rudes. 

 O ADULTO E A SAÚDE OCULAR

Os adultos devem periodicamente submeter-se ao exame de acuidade visual, e procurar o oftalmologista caso percebam algum declínio de capacidade visual. Todas as pessoas com mais de 35 anos de idade devem, sempre que possível, submeter-se ao exame de avaliação dos olhos e da visão, com o objetivo de detectar possíveis problemas e alterações.

Geralmente após os 40 anos, os adultos começam a observar o aparecimento dos sintomas da vista cansada. As letras vão se tornando menos nítidas, há dificuldade para a leitura das letras menores e a pessoa, para obter o foco ideal para ler, começa a afastar o livro ou jornal. Nessas circunstâncias, o oftalmologista deve ser procurado para que os exames e medidas sejam feitos e os óculos, receitados.
Determinadas atividades profissionais predispõem as pessoas a um número maior de alterações oculares. Assim sendo, o uso cuidadoso dos equipamentos de proteção do trabalhador - os óculos de segurança, por exemplo - e o bom estado das máquinas utilizadas evitam a ocorrência de traumas.
A mulher adulta deve ser vacinada contra a rubéola, o que evitará o aparecimento desta moléstia durante a gestação, já que esta doença, repetimos, adquirida nos primeiros 3 meses, pode causar cegueira ou catarata congênita no recém-nascido. Daí a importância da realização do pré-natal, essencial para a gestante, já que nele se faz o tratamento de infecções ginecológicas - que previne as conjuntivites do recém-nascido, adquiridas no canal de parto - bem como a detecção precoce e o correto tratamento de doenças que podem prejudicar tanto a gestante como o bebê.
Com relação às gestantes de alto risco, devem fazer exame ocular de rotina, visando detectar possíveis alterações.

  O IDOSO E A SAÚDE OCULAR

 É na faixa acima de 65 anos que ocorre a maioria dos casos de baixa acuidade visual e cegueira. Estes problemas não devem ser considerados como resultantes do processo normal de envelhecimento, porque, se bem utilizados os recursos clínicos e cirúrgicos existentes - como, por exemplo, a cirurgia de catarata -, a visão do idoso pode ser recuperada. Mesmo no caso de vir a desenvolver cegueira, o idoso deve receber orientação e ser encaminhado para reabilitação, evitando restringir suas atividades.
Por outro lado, instalam-se nos idosos alterações relacionadas ao próprio envelhecimento e acentuam-se as doenças crônico-degenerativas como a hipertensão e o diabetes, que, se descontrolados, atingem os órgãos da visão e devem ser diagnosticados e tratados a tempo. O exame e o acompanhamento oftalmológico regular dos idosos é um procedimento bastante útil para evitar problemas que prejudiquem sua participação na vida familiar e comunitária. 

  PREVENÇÃO DE ACIDENTES OCULARES

Acidentes que afetam os olhos ou a cabeça podem acontecer no ambiente de trabalho, na escola, na prática de esportes ou nos momentos de lazer. Esse tipo de ocorrência pode ser evitado, ou pelo menos reduzido, com a adoção dos seguintes procedimentos: 
  
- Medicamentos e substâncias inflamáveis ou químicas devem sempre ficar longe do alcance das crianças;
- Objetos pontiagudos e cortantes - como facas, estiletes, tesouras, por exemplo - não devem ser manuseados por crianças; 
- Devem ser evitados brinquedos potencialmente perigosos, como estilingue, dardo, flecha, revólveres e espingardas de chumbo; 
 - Deve ser evitada a permanência de crianças junto ou próximas ao fogão;
No automóvel, as crianças devem ser sempre transportadas no banco traseiro e o uso do cinto de segurança é absolutamente indispensável; 
 - Deve ser evitado o manuseio de substâncias inflamáveis e tóxicas perto de crianças; 
- Deve-se tomar cuidado especial - ou mesmo evitar – com determinados esportes e brincadeiras infantis de tipo violento ou agressivo; 
- As lentes dos óculos devem ser do tipo endurecidas, evitando-se o uso de lentes de vidro ou de material facilmente quebrável; 
- Devem ser evitadas brincadeiras - onde haja muita proximidade - com animais estranhos.

Porém, se apesar desses cuidados ocorrer um acidente, é fundamental que no momento do primeiro atendimento seja realizado um exame ocular, em busca de lesões e de corpos estranhos nos olhos, e o acidentado deve ser imediatamente encaminhado ao oftalmologista.

Fonte : www.nipomed.srv.br

SAÚDE OCULAR: importância da prevenção a cegueira infantil


Estima-se que haja no mundo cerca de 1,5 milhão de crianças cegas, e destas aproximadamente 100 mil estão na América Latina. A magnitude do problema é considerada pelo número de crianças cegas x expectativa de vida (1,5 milhão de crianças cegas x 50 anos de expectativa de vida = 75 milhões de anos de cegueira). A cegueira na criança torna-se então uma das prioridades do Programa Visão 2020, uma iniciativa global da Organização Mundial de Saúde (OMS)  e Agência Internacional de Prevenção à Cegueira que tem como objetivo a erradicação da cegueira prevenível e tratável do mundo que corresponde a 60% dos casos.  
O Brasil está inserido neste programa e em todos os estados há desenvolvimento de ações para a Prevenção da Cegueira com apoio da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Sociedades Regionais Filiadas.
A Visão é o mais importante órgão sensorial para o desenvolvimento global da criança, visto que 80% das informações que chegam ao cérebro é através da visão.
            Um atraso no diagnóstico e no encaminhamento precoce ocasiona danos importantes no desenvolvimento visual e global da criança. Por isso, é fundamental a realização do TESTE DO REFLEXO VERMELHO em todas as Crianças.

TESTE DO REFLEXO VERMELHO OU TESTE DO OLHINHO
OU TESTE DE BRUCKNER
        
É o mais importante teste de triagem visual que tem como objetivo identificar alterações na transparência das estruturas oculares tais como córnea, cristalino, vítreo além de problemas na retina. É capaz de identificar as principais causas de cegueira na infância. O exame é realizado de  rotina em  todo recém – nascido quando da alta da maternidade e deve ser repetido nas consultas pediátrica e/ou oftalmológica, visto que algumas doenças podem não estar presentes nos primeiros 30 dias de vida e vir a se manifestar posteriormente.

         Onde pode ser realizado?
Berçário, sala de parto, consultório/ambulatório

         Quando pode ser realizado?
Nos primeiros 30 dias de vida e repetido em toda consulta pediátrica e/ou oftalmológica, pois existem doenças que não estão presentes logo ao nascimento.

        Quem pode realizá-lo?  Que habilitação técnica é necessária?

O Médico. Em especial, os Pediatras, Neonatologistas, Oftalmologistas, Médicos da Saúde da Família. É necessário formação – 6 anos de medicina com conhecimento das doenças oculares.   

  Há necessidade de outros profissionais fazerem o teste do olhinho?

Não. Há número suficiente de médicos para a necessidade da população no Brasil.

 Total de médicos ativos no Brasil CFM, set/05): 301.172

 População Brasileira (IBGE, ago/04): 181.581.024

 1 médico para 603 habitantes . A OMS recomenda 1 / 1.000

O Estado do Ceará deu um passo à frente na Prevenção À Cegueira Infantil No Brasil, com a extensão do treinamento do teste do olhinho a 175 municípios (98%) de 22 microrregiões de saúde em 25 Hospitais Pólos. Esta ação é parte de um projeto de pesquisa em saúde que tem o apoio do CNPQ. Projeto este, que envolve parceria com os estudantes do pet medicina/ UFC e instituição privada CAVIV (Centro de Aperfeiçoamento Visual Islane Verçosa) com início desde julho de 2007.

    Qual o material necessário para a realização do exame?

Para o teste é necessário um aparelho de uso exclusivo dos médicos, ooftalmoscópio direto.

Como realizá-lo?
Posicionar o oftalmoscópio direto à aproximadamente 50 cm a 1m dos olhos  da criança, localizar as pupilas simultaneamente, focar entre zero e 3 dioptrias, para a identificação do Reflexo Vermelho (o reflexo que volta refletido da estrutura interna da retina).


   Doenças que podem ser identificadas pelo teste do olhinho?
O “teste do olhinho” pode detectar qualquer patologia que cause alterações na transparência das estruturas oculares tais como córnea, cristalino, vítreo e retina. As doenças que são mais facilmente identificadas pelo teste do olhinho são Catarata Congênita (causa importante de cegueira infantil) e o Retinoblastoma (tumor intraocular mais freqüente na infância). Outras doenças também possíveis de serem identificadas são Retinopatia da Prematuridade, Glaucoma Congênito, Persistência do Vítreo Primário Hiperplásico, Doença de Coats, Toxoplasmose, Toxocaríase, Hemorragia Vítrea, Coloboma e até Altas Ametropias.

 Causas mais freqüentes de cegueira na infância.

Catarata Congênita ocorre em 0.4% dos nascidos vivos e é uma importante causa de cegueira infantil, especialmente nos países “em desenvolvimento”, devido à alta incidência de infecções congênitas, como a rubéola. Nos países do “primeiro mundo”, a maior causa de catarata congênita é genética, geralmente herdada de forma autossômica dominante. Pode ser uni ou bilateral. Ao incidirmos a luz do oftalmoscópio direto sobre as pupilas de um bebê com catarata congênita, o reflexo vermelho não será visto de maneira clara ou uniforme. 

Glaucoma Congênito é na maioria das vezes herdado de forma autossômica recessiva e ocorre em aproximadamente 1 para cada 10:000 nascidos vivos. É geralmente bilateral e assimétrico. O aumento de pressão intra-ocular provoca rupturas no endotélio corneano, levando a edema de córnea. O edema de córnea impede a entrada normal de luz para dentro do olho, o que poderá ser visto ao ser realizado o teste do reflexo vermelho (teste do olhinho). E este aumento de pressão danifica de forma irreversível o nervo óptico causando cegueira. 

Quanto aos Tumores Malignos Intra-Oculares, o Retinoblastoma é o mais freqüente na infância e é uma doença grave pelo risco de causar morte. Existem dois tipos de retinoblastoma: os resultantes de uma mutação somática, onde um fotorreceptor da retina sofreu uma mutação e desenvolveu o tumor, e outra, resultante de uma mutação germinativa (universal), onde todas as células do indivíduo carregam a mutação responsável pelo tumor. O retinoblastoma resultante de uma mutação somática é esporádico, sempre unilateral e raramente congênito. O retinoblastoma decorrente de uma mutação germinativa é transmitido de forma autossômica dominante, é bilateral em 30% dos casos e pode ser congênito. A incidência, em torno de 1 para cada 15 000 nascidos vivos, varia conforme o nível de desenvolvimento da região, sendo maior nos “países do primeiro mundo”, devido ao aumento da sobrevida dos bebês com retinoblastoma que podem transmitir os genes para seus descendentes.

 No Brasil, 60% dos retinoblastomas são diagnosticados tardiamente, quando já não é possível salvar o olho, e às vezes nem a vida da criança. A presença de uma massa intra-ocular pode interferir com o reflexo luminoso que vem da retina, e pode ser detectada pelo “teste do olhinho” por um médico.

Toxoplasmose congênita   é uma doença causada pela infecção do organismo por um protozoário esporozoário parasita, o toxoplasma gondii.  Geralmente é uma doença assintomática  com sintomas muito variados dependendo da imunidade do paciente, contudo  em crianças pode causar lesões oculares graves, ocasionando a perda  da visão pela predileção do toxoplasma pela mácula, causando uma intensa destruição desta região principal da visão.
Entretanto, é importante salientar que este teste é um “screening” para todo bebê normal e não detecta a retinopatia da prematuridade. Caso o bebê seja prematuro (com menos de 32 semanas de gestação ou com peso de nascimento inferior a 1500g), o oftalmologista deve ser chamado para realizar exame de mapeamento de retina entre a quarta e a sexta semana de vida extra-uterina do prematuro.

Fontes:
Ferreira rc. Como diagnosticar a segunda maior causa de cegueira infantil no país: retinopatia da prematuridade. Rev soc cat oftalmol. 2001;6:6-8.
Belfort, r. Jr., orefice, f.. Uveítes. Conselho brasileiro de oftalmologia, 2007.
Verçosa, IC, Tartarella,MB. Catarata na Criança. 2008



NEURITE ÓTICA


Assim como o glaucoma, a neurite ótica é uma doença que acomete o nervo ótico. A neurite é definida como uma inflamação do nervo e é uma das causas de perda súbita de visão acompanhada de dor à movimentação dos olhos. O diagnóstico é feito clinicamente. O pronto diagnóstico é importante para descartar a associação com a esclerose múltipla. 

A inflamação do nervo ótico se dá principalmente por um processo conhecido como desmielinização, que é a perda da camada de gordura que recobre os nervos (mielina). 

A intima relação da neurite ótica com a esclerose múltipla se dá devido ao fato de que cerca de 15 a 20% dos casos de esclerose se manifestam inicialmente por neurite e 40 a 50% dos pacientes portadores de esclerose múltipla desenvolvem neurite em algum momento no curso da doença. 

No Brasil, doenças infecciosas também podem causar um quadro de neurite ótica. No caso de comprometimento do nervo e da retina adjacente, é denominada neurorretinite. Algumas doenças que podem desenvolver neurite são toxoplasmose, viroses da infância (como caxumba, catapora e sarampo), doença de Lyme, doença da arranhadura do gato (bartonelose), herpes vírus, sífilis, entre outras.

Um dos pontos frequentemente acometidos é o nervo ótico. A inflamação do nervo ótico determina uma diminuição da visão que pode ser permanente. Os nervos óticos são os nervos responsáveis por recolher as impressões visuais da retina e as transmitir até os lobos occipitais, na parte posterior do cérebro, para que possam ser analisados e transformados na experiência de enxergar. Quando ocorre uma lesão do nervo óptico, o impacto da luz sobre o fundo do olho não é transmitido ao cérebro e, como consequência, se observa a perda da acuidade visual no olho comprometido. Habitualmente a inflamação no nervo ótico, a chamada neurite ótica, ocorre de um lado e se desenvolve no período de alguns poucos dias levando à perda total ou parcial da visão, sendo acompanhada por dor à movimentação do olho.

Pacientes portadores de Esclerose Múltipla podem apresentar neurites óticas no decorrer da evolução da doença, com eventos repetidos no mesmo olho ou em ambos os olhos. Estima-se que até 66% dos pacientes com Esclerose Múltipla apresentam, em algum momento, uma neurite ótica. Além da perda visual que pode ser restrita à parte central da visão, podem ocorrer também turvação visual ou visão acinzentada.

Às vezes a neurite ótica pode ser o primeiro sintoma de uma esclerose múltipla. Uma das tarefas do médico que atende uma pessoa previamente saudável e que se apresenta com uma neurite ótica é determinar se ela tem um risco alto ou baixo de se transformar em uma esclerose múltipla definitiva. De acordo com a avaliação de risco que o neurologista faz, é possível se traçar uma estratégia de tratamento que diminua o risco de conversão ou o grau de incapacidade física da Esclerose Múltipla que está ali se iniciando.

Quadros típicos e atípicos de neurite óptica
Tipicamente a neurite ótica se desenvolve no decorrer de poucos dias, com sua pior fase ao redor da segunda semana da doença. Além do borramento visual ou perda da visão, habitualmente se observa também dor na movimentação do olho. Em cerca de 2/3 dos casos o exame de fundo de olho é normal, não se observando inchaço no disco óptico. Isso acontece porque normalmente a neurite é retrobulbar, ou seja, atinge a parte do nervo posterior ao olho. Somente depois de várias semanas é que se pode observar alterações no fundo do olho, na maioria dos casos, por meio de uma técnica nova de exame denominada Tomografia por Coerência Otica(OCT).
Um grande estudo multi-institucional, o Optic Neuritis Treatment Trial(ONTT), analisou 454 pacientes com neurite ótica recrutados no período de 1988 a 1991 e gerou mutias informaçoes a respeito do problema até 15 anos depois do seu início. Os pacientes do ONTT receberam 3 possibilidades de tratamento: metilpredinisolona endovenosa em altas doses(seguida de prednisona por via oral), prednisona por via oral somente ou placebo.
Dentre as várias informações obtidas pelo estudo, uma relevante é que os quadros atípicos de neurite ótica têm menor chance de se converterem em Esclerose Múltipla ao longo dos anos. Assim, pacientes que se apresentam com neurite óptica sem dor ocular, ou que tenham importante edema do fundo do olho desde o início da doença, ou ainda que tenham sinais de hemorragia no fundo do olho, tem chance quase zero de desenvolverem esclerose múltipla nos próximos 5 anos.

Pacientes de alto risco e de baixo risco de conversão
É possível identificar quais os pacientes com neurite ótica têm a maior chance de se converterem em portadores de esclerose múltipla definitiva. De modo geral, naqueles que têm a neurite ótica e no estudo de Ressonância Magnética do encéfalo não apresentam lesões sugestivas de esclerose múltipla, a chance de conversão é de cerca de 25% em 10 anos. Já naqueles que desenvolvem uma neurite óptica mas que já apresentam na ressonância do cérebro algumas lesões compatíveis com esclerose múltipla, a chance de conversão para Esclerose Múltipla clinicamente definida é de até 75%.


Todavia, os avanços terapêuticos na Esclerose Múltipla já nos permitem diminuir o risco de conversão. Estudos com Avonex, Rebif, Betaseron e Copaxone utilizados desde o momento do aparecimento de uma Síndrome Clínica Isolada, no caso aqui a neurite ótica, permitiram diminuir o risco de conversão em 40 a 50%. Além disso, a frequência de surtos naqueles que progridem para Esclerose Múltipla e o grau de incapacidade física também é menor naqueles que iniciaram tratamento precoce com esses agentes. Por esse motivo, optamos iniciar tratamento com esses agentes modificadores de doença nos pacientes com neurite óptica e lesões na ressonância compatíveis com Esclerose Múltipla.
Estudos recentes mostram que pacientes com neurite ótica, ressonância normal e exame de líquor normal têm chance de apenas 4% de conversão. Por outro lado, aqueles que têm ressonância normal mas apresentam bandas oligoclonais no exame de líquor, a chance de conversão para esclerose múltipla é de 23%.

 O que esperar da neurite ótica
 No geral, o prognóstico da neurite ótica é bastante favorável. Depois de 15 anos, 92% dos pacientes terão uma acuidade visual igual ou maior a 20/40 no olho acometido e 97% terão acuidade maior ou igual a 20/40 no outro olho. O tratamento com metilprednisolona favorece a recuperação mais precoce da visão, mas não é melhor do que placebo em longo prazo.
Uma minoria chega ao grau de cegueira. Menos de 3% dos pacientes desenvolvem cegueira em um olho em 15 anos e menos que 1% desenvolvem cegueira nos dois olhos.
Uma situação particular, menos favorável, é observada nos pacientes que desenvolvem neurite óptica relacionada à Doença de Devic, uma forma de inflamação que compromete a medula espinhal e os nervos óticos, aparentemente associados a anticorpos contra canais de água das células cerebrais (anti-aquaporina 4). Esses pacientes permanecem com cegueira funcional em cerca de 22% dos casos.

Os sintomas da Neurite Ótica podem variar em diferentes pessoas. Alguns pacientes apresentam inicialmente queixas relacionadas às alterações visuais, como:
Embaçamento da visão
Escurecimento ou perda da visão em um ou ambos os olhos
Mancha na visão ou perda de parte do campo visual
Estes sintomas são frequentemente precedidos ou associados a dor ocular, principalmente à movimentação dos olhos, e são devidos à inflamação do nervo ótico (neurite ótica).
Outras pessoas apresentam sintomas ou sinais de inflamação da medula (mielite) como manifestação inicial da doença, tais como:
Dormência ou sensação de queimação ou formigamento (disestesia) em uma parte do corpo;
Desequilíbrio para andar (ataxia)
Alterações do controle da urina e do intestino (alterações esfinctéricas)
Os sintomas de neurite ótica e de mielite podem ocorrer simultaneamente. Outros sintomas que podem ocorrer na neuromielite ótica são:
Dores fortes na nuca, nas costas ou em outra parte do corpo
Náuseas e vômitos ou soluços por dias ou semanas e recorrentes
Vertigens e tonturas; às vezes diminuição da audição
Diplopia (visão dobrada)
Alterações do sono, sensação de desmaios por baixa de pressão arterial
Febre ou temperatura muito baixa (hipotermia).
Os sintomas podem ser passageiros e desaparecer espontaneamente. Ataques recorrentes dos mesmos ou diferentes sintomas são comuns na doença.

Exames diagnósticos
Atualmente, novas tecnologias têm aparecido que permitem uma melhor detecção do problema, assim como acompanhamento evolutivo. duas delas merecem destaque: a tomografia por coerência ótica de retina (OCT) e o teste de acuidade visual de baixo contraste.
A OCT utiliza raios infravermelhos emitidos contra a retina para medir a resposta e formar um mapa das camadas celulares do fundo do olho. A camada de fibras nervosas diminui de espessura nos casos de neurite ótica. O método é muito sensível e consegue detectar alterações mesmo em pacientes assintomáticos, servindo como um marcador de doença subclínica. Mais além, o grau de atrofia da camada de fibras nervosas da retina se correlaciona com o grau de atrofia cerebral determinada pela esclerose múltipla e pode ser utilizada como uma maneira de avaliar a evolução da doença.
 A neurite ótica de etiologia desmielinizante é a forma mais comum de acometimento neuropático dos nervos óticos na faixa dos 15 aos 50 anos e pode ser o primeiro sintoma de uma Esclerose Múltipla. O diagnóstico adequado e o acompanhamento evolutivo com oftalmologista e com neurologista pode ser valioso e propiciar a chance de tratar os pacientes com maior risco de conversão para esclerose múltipla.
De modo geral, o prognóstico do problema é favorável e sua detecção precoce é fundamental para um tratamento satisfatório.


http://esclerosemultipla.wordpress.com/2006/04/27/neurite-optica/
http://www.copacabanarunners.net/neurite-otica.html






sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A BENGALA COMO SIMBOLO E AUXILIAR


Já na Antiguidade as pessoas cegas usavam a bengala como auxiliar de orientação e como apoio. Por isso ela em breve se tornou uma espécie de braço prolongado do não-vidente. Quando o trânsito automóvel começou a constituir um perigo para este, a bengala teve de se transformar num sinal: 

«Cuidado! Vem aí alguém que não te vê!»

E para que o cego pudesse ser notado a tempo, era preciso começar por tornar a bengala mais visível: passou a ser branca. Quem teve essa ideia de longo alcance foi a condessa Guilly Herbemont, que em 1931 perante entidades públicas em Paris presenteou pessoas cegas com 100 bengalas brancas. A bengala branca transformou-se no distintivo dos cegos, não tardando a assumir a função de sinal de trânsito protetor para maior segurança destes enquanto peões.

Do bastão à bengala comprida. O bastão não passou ainda totalmente de moda, uma vez que as pessoas idosas precisam dele para se apoiarem enquanto caminham. Também a bengala branca curta ainda tem amigos entre os  cegos e os grandes deficientes visuais, mas em geral só se tira do bolso em situações críticas ou como distintivo.

O verdadeiro auxiliar da mobilidade é a bengala branca comprida. O seu comprimento depende da altura do utilizador: assente verticalmente no chão, deve dar lhe aproximadamente pelo esterno. Durante a marcha é segura inclinada para baixo à frente do corpo, a fim de tatear o caminho. Movimentando-a como um pêndulo para a esquerda e para a direita o seu utilizador dá sempre o passo seguinte com segurança.

No entanto, a marcha com este «detector de obstáculos» tem de ser bem aprendida e treinada. Há quase 40 anos que os cegos e pessoas com baixa visão podem frequentar aulas de orientação e mobilidade, ministradas por técnicos de reabilitação com formação específica.

Nem só a bengala facilita a mobilidade o grau de autonomia que a pessoa cega ou de baixa visão precisa adquirir, bem como as suas capacidades e aptidões pessoais, determinam o programa do curso. Assim, enquanto a um sujeito basta orientar-se dentro da própria casa, outro tem de usar a bengala para ir às compras ou para atravessar cruzamentos movimentados em grandes cidades. Em todos estes casos

Se o reabilitando não possuir conhecimentos prévios suficientes sobre a arquitetura da cidade e a estrutura do trânsito, eles têm de lhe ser transmitidos, pois só assim chegará a uma mobilidade confiante e eficiente com atitudes adequadas. Para que este objetivo seja atingido, o ensino é sempre individual.  Fatores como a idade, a experiência prévia, o tipo da deficiência (cegueira congênita ou tardia, total ou baixa visão), a necessidade, a constituição psíquica e física, a atividade profissional e muitos outros podem alterar o número de aulas para mais ou para menos. A par das diversas técnicas de bengala são ensinados requisitos básicos para a mobilidade, a saber: percepção do corpo, noção de tempo, concepção espacial (elaboração de um «mapa mental»), bem como o relacionamento com as demais pessoas na rua, designadamente como pedir ajuda, informações.

Quando falta o sentido da visão, urge estimular de forma especial os outros sentidos, pois mesmo sem a possibilidade de ver tem sua percepção e pode interpretar o maior número possível de informações do ambiente circundante a fim de, a partir daí, ser estudado o modo como o cego ou pessoas com baixa visão devem agir enquanto transitam, de acordo com a situação.

Bengala e concentração

Ao atravessar uma rua, por exemplo, as pessoas cegas e de visão reduzida têm de se concentrar muito para poderem perceber e avaliar a situação do trânsito através dos sons. Ruídos diversos vindos de várias direções e  veículos «silenciosos» como ciclistas e «skaters» tornam-lhes ainda mais difícil adquirir a necessária segurança para atravessar a faixa de rodagem. Muitos deficientes visuais assinalam esta fase da espera puxando a bengala para si ou colocando-a direita à sua frente.

A introdução de semáforos sonoros veio facilitar muito a travessia das ruas: o cego pode reconhecer com precisão e clareza quando está verde para peões. Na ausência destes semáforos ele é forçado a deduzir essa informação com base no fluir do trânsito. Mesmo quando guiado pelo seu cão tem de lhe dar sinal para atravessar, pois os cães são cegos a cores e portanto não reconhecem o sinal verde.

Bengala com pilhas ou um auxiliar de quatro patas?
Existem diversas saídas para compensar os inconvenientes da bengala. O maior de todos é que com ela o cego não se apercebe de obstáculos situados à altura da cabeça. Existem diversos aparelhos eletrônicos acessórios que detestam e indicam esse tipo de obstáculos, quer emitindo sons, quer vibrando. Mas devem ser vistos sempre apenas como complementos, e não como substitutos da bengala. O mesmo não pode dizer-se, porém, do auxiliar de quatro patas. Após uma aprendizagem minuciosa seguida de treino com os futuros donos, os cães-guia para cegos levam-nos com segurança por entre o trânsito citadino, contornando obstáculos, e facilitando-lhes a travessia tantas vezes perigosa das ruas. Não é indispensável usarem também a bengala, embora essa prática seja recomendável.

A lei define como cego não só aquele que não vê absolutamente nada, mas também toda a pessoa cuja acuidade visual no melhor olho não vai além dos 2% ou cujo campo de visão está reduzido a 5 graus ou menos (a chamada visão tubular). Considera-se de baixa visão toda a pessoa que no melhor olho vê no máximo 0,05 - isto é 5%. Pode perfeitamente acontecer que um indivíduo que tenha um campo de visão pequeníssimo ou que sofra de cegueira noturna seja incapaz de se orientar sozinho quando anda na rua sem bengala, e contudo consiga ler letras grandes de jornal dentro do seu raio de visão.

Ajudar ou não ajudar?
As pessoas cegas e de visão reduzida que viajam sem acompanhante desembaraçam-se geralmente sozinhas. Em situações difíceis, porém, aceitarão de bom grado ofertas de ajuda - por exemplo quando querem atravessar ruas, apanhar meios de transporte, em estações dos caminhos-de-ferro ou em pavimentos onde decorrem obras . A pergunta «Quer ajuda?» nunca é incorreta. Pelo contrário, qualquer cego ou baixa visão ficará confuso e descontente se o atravessarem pegando-lhe pelo braço e puxando-o, sem uma palavra. Conta-se que por causa deste procedimento já houve quem fosse metido num elétrico em que não queria viajar.

Em 15 de outubro comemora-se em todo o mundo o dia da bengala branca. Em 1964 Johnson, então presidente dos Estados Unidos, entregou bengalas brancas a pessoas cegas. Foi o começo simbólico da aprendizagem sistemática de orientação e mobilidade por parte destas pessoas.

Suplemento da revista «Die Gegenwart» - nº 9 - 2001
Edição: Associação Alemã de Cegos e Amblíopes
Tradução NADV: Ana Maria Fontes
Retirado do site “Sobre a Deficiência Visual”
 http://deficienciavisual.com.sapo.pt/

domingo, 12 de agosto de 2012

DESCOLAMENTO DE RETINA

A retina é uma fina camada de células nervosas que reveste a parte interna do olho. Sendo responsável pela formação da imagem e conversão da luz em sinais elétricos os quais são enviados pelo nervo óptico ao cérebro onde são transformados em visão.


Imagine o seu olho como uma máquina fotográfica, sendo assim a retina é o filme. Assim que os raios de luz entram no olho são focados com o auxílio do cristalino em cima da retina. A retina então produz uma "imagem" que é enviada através do nervo óptico para o cérebro que a interpreta.
A retina é dividida em 2 partes: a retina periférica e a mácula.


A retina periférica está funcionando quando percebemos alguma coisa se aproximando dos lados. Devido à retina periférica não ser capaz de enxergar pequenos detalhes claramente, nós não podemos usar a visão "periférica" para ler, costurar, dirigir, ou até mesmo reconhecer uma fisionomia.
Para enxergar pequenos detalhes, nós devemos olhar diretamente, usando a mácula, o centro da retina. A mácula nos permite enxergar finos detalhes, letras pequeninas, reconhecer fisionomias, costurar, ver as horas, enxergar sinais de rua e as cores.

O que é Descolamento de retina

Um descolamento da retina é uma separação da retina da sua conexão na parte traseira do olho. A separação resulta geralmente de uma rasgadura na retina. A rasgadura frequentemente ocorre quando o vítreo se separa da sua conexão na retina, geralmente nas bordas exteriores do olho. O vítreo é um gel translúcido que preenche a maior parte do interior do olho entre a retina e a lente. Se a retina for fraca quando o vitreo puxa por ela, a retina rasga-se. Este rasgo é por vezes seguido por hemorragias, se uma vaso sanguíneo for rasgado também.
Uma vez que a retina se rasgou, o vitreo pode então passar através da rasgadura e acumular-se atrás do retina. A acumulação do vitreo atrás da retina é o que descola a retina . Quanto mais vítreo passa pela rasgadura maior a extensão do descolamento da retina. Este pode progredir e envolver a retina inteira, conduzindo a um descolamento da retina total. Um descolamento da retina afecta quase sempre somente um olho. O segundo olho, deve no entanto ser verificado.



CAUSAS

Os rasgos na retina podem ocorrer sem que a pessoa perceba inicialmente seus sintomas.
Luzes a piscar e a flutuar podem ser os sintomas iniciais de descolamento da retina. Um paciente que comece a experimentar estes sintomas deve ser observado por um oftalmologista para um exame da retina.
Os sintomas de luzes a piscarem e a flutuarem são geralmente benignos e podem resultar de uma separação do vítreo da retina. Esta circunstância é chamada um descolamento posterior do vitreo (DVP). Embora um DVP ocorra frequentemente, não há nenhum rasgadura associado com esta condição na maioria das vezes.
Se, entretanto, o paciente experimentar o que está descrito como uma sombra ou uma cortina que afectem qualquer parte da visão, este sintoma pode indicar que uma rasgadura da retina ocorreu e progrediu para um descolamento da retina. Nesta situação, o paciente deve imediatamente consultar um oftalmologista. Nesta circunstancia o tempo pode ser critico. O objectivo do oftalmologista é fazer o diagnóstico e tratar a rasgadura ou o descolamento da retina antes que a área macular central do retina se descole.

Doenças dos olhos predispõem ao desenvolvimento de um descolamento da retina. 

A degeneração em palissada da retina ocorre em 6% a 8% da população.
A miopia elevada (maior que 5 ou 6 dioptrias) aumenta o risco de um descolamento da retina. De facto, o risco aumenta 2,4% em comparação a uns 0,06% de risco para um olho normal de uma pessoa com 60 anos. (Dioptrias são unidades de medida) Cirurgia da catarata ou outras operações pode incrementar o risco nos pacientes com o miopia elevada.
Os pacientes com Glaucoma têm um risco aumentado de desenvolver um descolamento da retina.

Outros factores estão associados ao descolamento da retina

O traumatismo como um murro, ou um ferimento penetrante por um objecto afiado podem conduzir a um descolamento da retina.
Um descolamento da retina não traumático parece indicar uma tendência (herdada) genética para desenvolver descolamentos da retina.
Em cerca de 5% dos pacientes com um descolamento da retina num olho, que não seja causado por trauma ocorre subsequentemente no outro olho. Assim o segundo olho de um paciente com um descolamento da retina deve ser examinado e seguido com atenção, pelo paciente e pelo oftalmologista.
Os diabetes podem conduzir a um tipo de descolamento da retina causado por tracção na retina, sem rasgadura.

O deslocamento pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em pessoas de mais de 40 anos. Um deslocamento de retina tem maior probabilidade de ocorrer em pessoas que:
- São muito míopes.
- Tiveram deslocamento de retina no outro olho.
- Têm histórico familiar de deslocamento de retina.
- Tiveram cirurgia de catarata.
- Têm outros problemas oculares.
- Tiveram lesão no olho. 
Complicações da cirurgia para um descolamento da retina:
Lacrimejar, olhos vermelhos, inchaço, comichões no olho afectado são sintomas comuns e podem persistir por algumas horas após a operação. Estes sintomas são tratados geralmente com gotas (colírios). A visão esbatida pode durar por muitos meses e óculos novos serão necessários, por ter mudado a forma do olho. Também pode haver dupla visão (diplopia). Outras complicações podem incluir a pressão elevada no olho (Glaucoma), sangrar atrás do retina, nublar da lente do olho (catarata), queda da pálpebra ou infecções do olho (endoftalmite).
 Resultados da cirurgia para um descolamento da retina
A cirurgia do descolamento da retina é bem sucedido em aproximadamente 80% dos pacientes com um único procedimento. Diversos meses podem passar, entretanto, antes que a visão retorne a seu nível final. O resultado final para a visão depende de diversos factores. Por exemplo, se a macula for descolada, a visão central raramente retornará ao normal. Mesmo se o macula não foi descolada, parte da visão pode ainda ser perdida, embora a maioria recupere. Novos furos, rasgos, ou puxões podem ocorrer, levando a novos descolamentos da retina. O acompanhamento por um oftalmogista é importante Os estudos a longo prazo mostraram que mesmo depois após tratamento preventivo de uma rasgadura 5% a 9% dos pacientes podem desenvolver rupturas novas na retina, o que poderá conduzir a um novo descolamento da retina. A cirurgia de descolamentos da retina fez grandes avanços nos últimos vinte anos com a restauração da visão útil a muitos milhares dos pacientes.

PREVENÇÃO

Use proteção para os olhos para prevenir um trauma ocular. Controle sua glicose cuidadosamente se você tem diabetes. Visite o especialista pelo menos uma vez ao ano, principalmente se você tem fatores de risco para o descolamento da retina.


TRATAMENTO
Os rasgos na retina devem ser tratados a laser ou por crioterapia, o mais rápido possível, a fim de evitar que dêem origem a um descolamento. Esses tratamentos criam uma espécie de cicatriz que sela o rasgo e aderem a retina ao globo ocular impedindo, assim, que o vítreo se localize atrás dela. Esses tratamentos causam pouco desconforto e podem ser realizados em regime ambulatorial.
Os descolamentos de retina são tratados por cirurgias destinadas a pressionar a parede do globo ocular contra os rasgos da retina, mantendo os tecidos juntos até que os rasgos cicatrizem-se. Na retinopexia pneumática, uma das técnicas cirúrgicas utilizadas, o oftalmologista especializado em retina, injeta no interior do olho uma bolha de gás absorvível pelo organismo, empurrando o rasgo da retina contra o globo ocular. 
A técnica escolhida dependerá das características do problema e do dano ocorrido. As cirurgias de descolamento de retina são realizadas em centro cirúrgico sob anestesia local ou geral. Nos casos de descolamentos mais complexos pode haver ainda necessidade de uma vitrectomia, em associação com outras técnicas.
Os tipos de cirurgia incluem:
- Criopexia (frio intenso aplicado em uma área com uma sonda de gelo) para ajudar a cicatrizar, o que fixa a retina na camada subjacente
- Cirurgia a laser para selar as ruturas ou os buracos na retina
- Retinopexia pneumática (colocação de bolhas de gás no olho) para ajudar a retina a flutuar de volta ao seu lugar.
A cirurgia a laser é realizada após a retinopexia pneumática para fixação permanente. Isso é feito geralmente no consultório médico.
Descolamentos mais extensivos podem exigir cirurgias em uma sala de operação. Tais procedimentos incluem: 
- Introflexão escleral para alinhar a parede do olho
- Vitrectomia para remover gel ou tecido de cicatriz puxando da retina
Consulte também: Reparo do descolamento de retina,

EXAMES

Serão realizados testes para verificar a resposta da retina e da pupila e a habilidade de enxergar as cores corretamente. Isso pode incluir:

- Eletrorretinograma (uma gravação de correntes elétricas na retina produzidas por estímulos visuais)
- Angiografia de fluoresceína
- Determinação da pressão intraocular
- Oftalmoscopia
- Teste de refração
- Fotografia da retina
- Teste para determinar a capacidade de ver cores apropriadamente (detecção de cor)
- Acuidade visual
- Exame com lâmpada de fenda
- Ultrassom do olho

Buscando ajuda médica

Um descolamento de retina é um problema urgente que exige atenção médica dentro de 24h a partir dos primeiros sintomas.


Fontes e referências:

- Costarides AP. Elevated intraocular pressure following vitreoretinal surgery. Ophthalmol Clin North Am. 2004;17:507-512.
- Fay A. Diseases of the visual system. In: Goldman L, Ausiello D, eds. Cecil Medicine. 23rd ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2007:chap 449.
- Yanoff M, Duker JS, Augsburger JJ, et al. Ophthalmology. 2nd ed. St. Louis, Mo: Mosby; 2004:786-791.